Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Banco do Brasil e Chemtech apresentam

Virei Viral Cover

Curadoria

IDENTIDADES E COLETIVIDADES

Existência é o estado do que existe. Existir é Ser. Ser é ter existência e uma identidade.
Identidade é o conjunto de características que distinguem uma pessoa ou uma coisa e por meio das quais é possível individualizá-la. EU é a individualidade da pessoa humana.

A Existência é por si só uma dialética. Uma sequência de auto-referenciação. Um metaconceito.

“Quem sou”, “quem somos” e “o que me torna diferente no rebanho”. Questões que extrapolam tempo, cultura, espaço. O fato de que a única possibilidade de certificar-se da existência é concebendo a “não existência”, torna drasticamente suspeito o entendimento do que é “ser”.

Mas é fato que somos. Ou pelo menos é nisso que temos que crer. Para ser. E sobre isso, diria Sartre, “O homem está condenado a ser livre”. O peso da liberdade está em ser responsável pelo seu SER. E é sendo que o homem vai moldando sua identidade. O peso dessa escolha não é um fardo só pra si. Afeta a todo o conjunto.

“Somos todos retalhos de uma textura tão disforme e diversa que cada pedaço, a cada momento, faz seu jogo. E existem tantas diferenças entre nós próprios como entre nós e os outros.”
- Michel de Montaigne, Ensaios, Segundo Volume, I (1580).

Cada Eu tem uma identidade: formada por um fluxo constante e pulsante de pequenos eventos, que moldam personalidade, subjetividade, características visíveis e ocultas que, embora pareçam ter sido feitas sob medida, são resultado de escolhas que afetam não só a si próprio, como o todo. Eis o peso da liberdade.

E o que acontece quando esses pequenos eventos se multiplicam e se tornam hipertextualizados? A identidade passa a ser formada ou deformada pela superabundância de episódios e acontecimentos concomitantes e, paradoxalmente, multidimensionais e assíncronos? Essa reflexão, ainda que flerte com o inverossímil, está posta na dialética do presente. E é objeto de investigação desta segunda edição de Virei Viral, projeto que se dedica a explorar questões da cultura contemporânea através de sua manifestação em expressões artísticas.

Sendo a identidade uma potência universal, surge também a coletividade como outro objeto hesitante – não apenas correlato – mas intrinsecamente vinculado.

Identidades e Coletividades. No contemporâneo, conflitam – como visto no pensamento de Zigmunt Bauman – com palavras como fluidez, fragmentação, volatilidade. Uma equação onde multiplicar é, paradoxalmente, dividir e separar. A curadoria da 2a. Edição do Virei Viral buscou apresentar trabalhos que refletem, questionam, ironizam, reverberam, polemizam ou simplesmente retratam pontos de vista de artistas acerca da inexorável e atemporal, porém flexível e plurivalente, questão da identidade e sua consequente coletividade.

Como resultado curatorial, os artistas selecionados abordam facetas do ego de formas distintas, mas que geram um diálogo filosófico intenso. A pesquisa curatorial desenvolveu-se, portanto, de modo absolutamente multidisciplinar. Revisitando filósofos clássicos, passando pela discussão 'real'/imagem/significado da linguística, o questionamento do olhar e a crença da verdade na imagem. Aristóteles, Hume, Kant, Merleau-Ponty e Didi-Huberman, entre tantos outros filósofos e pensadores que se debruçaram na questão da existência, acolhendo intimamente a melancolia de Nietsche e sustentação existencialista de Sartre, buscando coerência ainda na psicologia de Lacan, e na ultra contemporaneidade de Bruno Latour e a Teoria Ator-rede.

Explorando sensações a partir de materiais e suportes artísticos diversos, o Projeto Expográfico, Direção de Arte e Curadoria buscam revelar rastros de identidade: seu lado sutil e frágil, e a antagônica faceta excessiva e pulsante.

Vemos o elegante contraste entre o vídeo surrealista de Antonia Leite e a foto-pintura de Mestre Júlio; a fé que depositamos nas imagens em objeção a valorização da percepção individual, questionada na obra da fotografa Claudia Jaguaribe, na fotografia imaginária das Polaroides de Tom Lisboa, na contestação precisa de Khalil Charif em “O que vemos. O que nos olha”.

As narrativas que misturam histórias de nostalgia, efemeridade, padronização e pertencimento são vistas nas obras de Dora Reis, Markus Hofko, Yuli Anastassakis e Kyle Thompson – este último ainda se destacando pela dolorosa tentativa de auto-reconhecimento. Reconhecimento e pertencimento, aliás, também apresentados em um conto cheio de alegorias filosóficas na obra de Anthony Marcellini.

A subjetividade poética que concedemos despretensiosamente aos nossos “tec-trecos-extensão-do-corpo” está na poética obra I Phone me, I Phone you de Marcus Faustini e, em contraponto, Post Secret de Frank Warren (e de um coletivo de anônimos) transparece a dor da intimidade de segredos sonegados e mostra a coletividade da castidade moral.

O renomado e dificilmente categorizável fotógrafo Michael Wolf questiona o panóptico e a artista plástica Ana Hupe manifesta, de certa forma, a hiperexposição; Bruno Veiga e Alexandre Mazza, o primeiro ironicamente, e o segundo de forma reflexiva, abordam a individualidade versus padronização/representação. Temática também posta em questão pela artista Stefanie Posavec que nos fornece potente vocabulário de diferentes formas de olhar dando vida ‘real’ aos nossos desempenhos e padrões identitários nas mídias sociais. Como que numa síntese da proposta curatorial, através de uma dramatização poética, revelamos ainda a sutileza da designer Camila Valladares e seus “pacotes de identidade”, uma autentica e delicada provocação de interpretação de si mesmo.

A 2a edição do Virei Viral não se propõe – de forma alguma – a ser conclusiva. Pelo contrário. Se nosso tempo caminha para solidão das identidades fragmentadas ou para a euforia da multiplicidade de possibilidades, se o caminho é um excesso de egocentrismo ou, ao contrário, a proliferação das facetas e possibilidades, a reflexão é remetida para o espectador: vivente, seduzido e abduzido por essa realidade-simulacro abundantemente vigente.

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ISABEL SEIXAS  | Coletivo Curatorial Estúdio M’Baraká 
 

Artistas

Alexandre Mazza

Alexandre Mazza

ALEXANDRE MAZZA vive e trabalha no Rio de Janeiro. Com formação musical, é através do que chama de “multiplicação da luz” que Mazza nos faz ver muito além do que o olhar reconhece. Todas em uma nasce da observação do artista de várias pessoas atravessando o sinal durante as manifestações que ocorreram no Rio em 2013. São muitas as questões metafísicas e de alteridade em Mazza, mas o que nos encanta é a conversa que as figuras parecem querer representar, é justamente entre o ir e vir das identificações que todos somos um e em um somos todos. Ainda que de modo fluido e instável, vemos a insistência dos padrões arquetípicos que parecem sustentar a coletividade. Se para Norbert Elias não existe sociedade sem o indivíduo, a obra de Mazza nos mostra que tampouco o indivíduo existe sozinho, sem sociedade.

www.alexandremazza.com

Obra: Todas em Uma

Ana Hupe

Ana Hupe

ANA HUPE é artista, vive no Rio de Janeiro e em Berlim. Faz doutorado em artes visuais na EBA-UFRJ. É por meio da fotografia, do vídeo, de seu corpo e do texto que Ana conta suas histórias. Texto Vivo é uma ação em que a artista faz uma colagem no próprio corpo de todos os escritos, incluindo troca de mensagens eletrônicas, realizados em três semanas de residência no La Ene em Buenos Aires. Ana escreve, escreve e escreve. Como “processo singular de elaboração do mundo e de estar no mesmo”. Uma hiperexposição para a codificação e aprisionamento do significado que foge, incorporação de uma persona outra, revelação de outras escondidas, uma metáfora do “ser-post” que nos tornamos ao expor cada momento em redes sociais. Ou meramente como ato de segurar uma caneta e imprimir força ao papel. 

www.cargocollective.com/anahupe

Obra: Texto Vivo

Antonia Dias Leite

Antonia Dias Leite

ANTONIA DIAS LEITE é artista brasileira que trabalha em vídeo, fotografia e instalação. Dentro da linguagem do subconsciente e a partir de seu interesse pela psicologia, seu trabalho apresenta traços surrealistas. Na obra Miroir Miroir, ao brincar com sua própria beleza e transfigurá-la, Antonia mergulha fundo na definição de vaidade e cria um diálogo psicológico intenso entre as facetas do ego. A obra faz coexistir o triste, o belo, o ridículo e o espetáculo, sem deixar de criticar a obsessão pela perfeição estética. A música mostra ainda toda a complexidade paradoxal das representações femininas de identidade e revela uma coletividade que é, por um lado, equilibrada e coerente, mas, por outro, sofrida como um palhaço de circo, que “bebe gargalhadas e come gritos de ‘bravo’, mas é mais triste que um chapéu”.

www.antoniadiasleite.com

Obra: Miroir Miroir

Anthony Marcellini

Anthony Marcellini

ANTHONY MARCELLINI é artista, escritor e acadêmico. Seu interesse está na relação entre coisas aparentemente distintas, e é por meio da suspensão de certas crenças enraizadas e postula- dos metafísicos que o artista nos leva aos limites entre os mundos naturais e construídos, propondo um espaço mais horizontal no qual esses mundos podem se comunicar. A complexidade em Becoming Real vai além da fábula do pássaro Pega (Magpie), que questiona o seu papel no mundo depois de se dar conta de sua capacidade de se reconhecer no espelho. Conta ainda com interrogações sobre o ser, suas nuances representacionais e as mais profundas questões filosóficas da existência como um todo.

 

www.anthonymarcellini.info

Obra: Becoming Real

Bruno Veiga

Bruno Veiga

BRUNO VEIGA é fotógrafo carioca que mora e trabalha no Rio de Janeiro. Começou a fotografar nos anos 80 e, a partir da década de 90, passou a de dedicar ao trabalho autoral. Ao brincar com os bonecos de sua filha, e inspirado na obsessão generalizada pelas redes sociais, Bruno cria Facebook Series. A estética plástica dos seus personagens entrega desempenhos arquetípicos que revelam as estruturas por trás das representações autorizadas e aceitas na superficialidade dos perfis das mídias sociais. A obra de Bruno dialoga diretamente com a forma como escolhemos nos mostrar, nas palavras de Russell “sob um véu de ilusão para esconder de nós mesmos que não nos consideramos uns aos outros pessoas absolutamente perfeitas”.

www.brunoveigafotografia.com.br

Obra: Facebook Series

Camila Valladares

Camila Valladares

CAMILA VALLADARES é formada em design com habilitação em comunicação visual pela PUC-Rio. Interessa-se pelo trabalho em conjunto, buscando “olhares, leituras, hábitos, culturas, histórias, memórias e registros que as pessoas podem oferecer”. Plexo é um delicado trabalho colaborativo que solidifica a fluidez e impermanência das identidades. Da palavra grega Plexus – trança, enredar, envolver – os pacotinhos de identidade de Camila evidenciam como nossas representações são emaranhados de camadas – ora frouxas, ora firmes – mas sempre em movimento. A poética em Plexo manifesta, por um lado, a pluralidade das possibilidades de escolhas nas representações de identidades e, por outro, a mutabilidade das significações e ressignificações.

www.cargocollective.com/camilavalladares

Obra: Plexo

Claudia Jaguaribe

Claudia Jaguaribe

CLAUDIA JAGUARIBE é carioca, mora e trabalha em São Paulo. Sua produção caracteriza-se por uma intensa pesquisa plástica que utiliza diferentes mídias para lidar com questões da contemporaneidade. A série Retratos Anônimos questiona a aceitação da fotografia como reprodução fiel da realidade ao retratar rostos que não têm nenhuma pessoa por trás. Trata-se de uma série de retratos cujos rostos pertencem a várias pessoas, e a nenhuma ao mesmo tempo, e geram uma convivência lúgubre no espaço da alteridade. A série nos faz questionar justamente a fé que depositamos na imagem e nossa constante busca pela verdade no que vemos.

www.claudiajaguaribe.com.br

Obra: Retratos Anônimos

Dora Reis

Dora Reis

DORA REIS é designer carioca formada pela PUC-Rio e experimenta com fotografia e projetos de design. Da costura das memórias sobre fotografia de seus entrevistados, Memorabilia constrói uma narrativa encantadora que gera, ao mesmo tempo, nostalgia e pertencimento. O texto que se forma de imagens, memórias e afeto é também rastro de lembranças e esquecimentos. É um bonito encontro de identidades e coletividades no limite entre a singularidade da foto como um objeto efêmero e a pluralidade de reconhecimentos que nos faz sentir.

 

www.cargocollective.com/dorareis

Obra: Memorabilia

Frank Warren

Frank Warren

FRANK WARREN é fundador e curador de Post Secret, projeto on-line que recebe segredos de todas as partes do mundo. Warren começou o blog em novembro de 2004, um projeto de arte comunitária, em que as pessoas fossem convidadas a enviar seus segredos anonimamente através de cartões-postais. O conteúdo pode ser um arrependimento, medo, traição, desejo, alguma confissão muito íntima ou algum tipo de humilhação. Não importa, basta que seja verdade e que nunca tenha sido compartilhado com ninguém. A proposta de Frank gera uma quantidade imensurável de dor, surpresa, humor, alegrias e, principalmente, reconhecimento, uma vez que é comum identificar-se com muitos dos segredos, em sua maioria, tabus sociais. As identidades reveladas criam coletividades que confortam, mas que mostram um outro universo de representações mais frágeis, comumente camuflados em nossos autorretratos sociais.

www.postsecret.com

Obra: Post Secret

Khalil Charif

Khalil Charif

O que vemos o que nos olha é obra de KHALIL CHARIF, artista carioca com especialização em história da arte pela PUC-Rio. Inspirado na obra de Georges Didi-Huberman, importante filósofo e historiador de arte francês, Khalil questiona o olhar sintetizando uma relação complexa entre o mundo das imagens e o mundo das coisas internas, que dão acesso ao sentido que fazemos dessas imagens. Se o ponto de vista cria o objeto como afirmava Saussure, a obra de Khalil nos mostra que também o objeto, de certa forma, cria o ponto de vista. Há, portanto, na contemplação da obra de arte algo que nos olha de volta. Fala-se em “fé perceptiva” e O que vemos O que nos olha demonstra que a verdade do que se vê vive em constante fluxo entre a fé e a nãofé na imagem, conforme propôs Merleau-Ponty.

 

http://kcharif.blogspot.com.br/

Obra: O que vemos O que nos olha

Kyle Thompson

Kyle Thompson

KYLE THOMPSON nasceu em Chicago em 1992, começou a tirar fotografias aos dezenove anos e hoje já conta com uma publicação. Sua obra é majoritariamente composta por autorretratos que exploram ambientes naturais por lentes surrealistas. Kyle se coloca em situações improváveis e profundamente existencialistas, no que parece um exercício de autoconhecimento que nos possibilita imaginar o inimaginável e nos propõe provar riscos altamente tentadores em imagens sedutoras. Trata-se de uma narrativa efêmera, que nunca termina por construir um complexo processo identitário, revelando sempre angústias contemporâneas do “Eu”. São muitos Kyles em apenas um.

www.kylethompsonphotography.com

Obra: Sem título

Marcus Faustini

Marcus Faustini

MARCUS FAUSTINI é escritor, diretor teatral, cineasta, criador da agência de redes para juventude e da Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu. Iphone me Iphone you é uma videoinstalação em narrativa contemporânea a partir de todo o conteúdo pessoal de dois celulares. Segundo o artista, “a ideia é mostrar que confiamos nossa subjetividade a esses aparelhos e que podemos transformar em arte o nosso conteúdo particular.” Na observação das trocas em iPhone Me iPhone You, vemos uma arte que é pura subjetividade em ação, coexistindo em seus paradoxos, gerando poética e sempre em transformação.

https://www.facebook.com/mvfaustini

Obra: Iphone me Iphone you

Performances: Bruno F. Duarte e Yasmin Thayná

Markus Hofko

Markus Hofko

Nascido na Alemanha, o designer e artista MARKUS HOFKO mora e trabalha na Nova Zelândia. Seus trabalhos causam, à primeira vista, estranhamento. Há sempre algo fora do lugar que “incomoda” o espectador. Inspirado pela ficção científica e imagens fantásticas de outros mundos, cria personagens meio humanos meio extraterrenos. Solidarity é uma série de fotografias desenvolvida para a revista suíça Abstrakt, que tematiza os sujeitos e suas relações a partir das perguntas que dão título às imagens: O que é solidariedade? Precisamos estar separados para estarmos juntos? Seria a colaboração voluntária? O que nos conecta? Como a internet modifica a comunidade? Através da descaracterização dos personagens de Solidarity, somos levados a pensar nas formas de opinião, interesse e sentimentos recíprocos, que geram identidades e coletividades a partir de parâmetros outros que não da norma vigente.

www.bowbowbow.co

Obra: Solidarity

Mestre Júlio

Mestre Júlio

“Ela quis ser retratada como uma rainha, com coroa, com colar de pérola de três voltas, brincos acompanhando, cabelos mais claros e sem óculos, olhos azuis e maquiada.” Quem escolhe ser retratado, decide como quer ser lembrado. Fotopintar retratos é manipular representações e gerar novas camadas sob o complexo processo identitário do retrato. A fotopintura nasceu com as fotografias de grandes formatos, chegando às casas no século XIX. Quando foi criada, a técnica era o único recurso disponível para recuperar memórias captadas em fotografias destruídas pelo tempo ou pela má conservação. MESTRE JÚLIO SANTOS passou por todos os processos da fotopintura, chegou a ter um estúdio com vinte aprendizes a quem ensinou a cuidar da memória afetiva através dos retratos. Hoje seu ofício é totalmente digital e ele desempenha sua técnica com materiais que se extinguiram na vida real, mas que aparecem com o mover do cursor.

www.mestrejuliosantos.blogspot.com.br

Obra: Retratos Pintados

Michael Wolf

Michael Wolf

Da mesma forma que a fotografia de MICHAEL WOLF desafia qualquer tipo de categorização, também o próprio artista parece não categorizável. Google Street View Series surge quando, ao mudar para Paris, o artista percebe-se preso a uma paisagem urbana que é a mesma há mais de cem anos. Usando a interface do Google, ele navega recortando e isolando momentos que transcendem a singularidade da arquitetura parisiense para sugerir uma cidade abstrata e universal. É o corte e a escolha da cena que fazem a foto deixar de ser uma fotografia do Google para ser uma fotografia sua. O que distingue Wolf  é a sua capacidade para encontrar o valor simbólico em detalhes aparentemente insignificantes. Privacidade, voyeurismo, identidades e coletividades relacionam-se diretamente a este projeto, que critica também o poderoso alcance do Google ao criar um mapa fotográfico não autorizado do mundo.

www.photomichaelwolf.com

Obra: Street View - Fuck You e Portraits

Stefanie Posavec

Stefanie Posavec

A designer americana radicada em Londres STEFANIE POSAVEC trabalha com foco em visualização e design de dados. Stefanie vai muito além de possibilitar novas formas de visualização de informações, interessa-se em mapear subjetivamente as mais diferentes linguagens da ciência à literatura. “O que me fascina é ser capaz de revelar esta verdade oculta que se encontra mesmo no mais mundano das coisas.” Posavec desenvolveu Relationship Dance Steps numa residência artística de sete semanas no laboratório de pesquisa na sede do Facebook. O projeto é a conversão de um mês da interação de quatro casais no Facebook em passos de dança. É através do passo a passo ritmado proposto por Stefanie que vemos tomar corpo e vida uma performance orquestrada virtualmente e encenada por tantos casais no dia a dia das mídias sociais.

 

www.stefanieposavec.co.uk

Obra: Facebook Art Residency: Relationship Dance Steps

Tom Lisboa

Tom Lisboa

TOM LISBOA é natural de Goiânia, mas vive em Curitiba desde 1987. Polaroides (in)visíveis são fotos em textos escritos pelo fotógrafo que desconstrói a ideia de fotografia como uma imagem visual e divide a autoria das fotos com o público, que é instigado a olhar ao redor (ou dentro de si mesmo) e procurar paisagens quase ocultas que o cercam. O que começa como uma intervenção urbana despretensiosa é uma crítica firme ao espaço expositivo e à própria banalização da fotografia contemporânea, numa época em que a maioria das fotografias não sai do ambiente digital. O alcance deste trabalho é tamanho que, apesar de serem feitas sem câmera e não possuírem uma imagem física, as polaroides ganharam o Prêmio Porto Seguro de Fotografia, a mais relevante premiação nacional nesta área.

www.sintomnizado.com.br/tomlisboa.htm

Obra: Polaroides (in)visíveis – Autorretratos

Yuli Anastassakis

Yuli Anastassakis

YULI ANASTASSAKIS vive e trabalha no Rio de Janeiro. É formada em ciências sociais e estudou videoarte, desenho e pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Yuli refaz fotos de família ou imagens capturadas pelo Google Street View com a doçura dos bordados. A ironia nos seus trabalhos nos faz ouvir vozes que se sobrepõem. Por um lado, a meticulosa técnica do bordado e toda a tranquilidade que ela representa, por outro, a revelação de que esses são tempos de velocidade. O encantamento é perceber que essas identidades coexistem harmoniosamente, em fluxo, e nos dão a confortável sensação de que tudo é possível, que a angústia pelo tudo pode cessar por um tempo, ou pelo menos por alguns pontos.

 

www.yulianastassakis.blogspot.com.br

Obra: 2012-10-03:17.33.19

Ficha técnica

EXPOSIÇÃO

IDEIA ORIGINAL: DIOGO REZENDE

COLETIVO CURATORIAL ESTÚDIO M’BARAKÁ: DIOGO REZENDE / ISABEL SEIXAS / LETÍCIA STALLONE (COM COLABORAÇÃO DE MARIANA SOLIS E PEDRO LEOBONS)

COORDENAÇÃO DE CONTEÚDOS: DIOGO REZENDE / ISABEL SEIXAS / LETÍCIA STALLONE

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: ANA LUISA FONSECA

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: BEATRIZ NOVELLINO RAFAEL SANTOS

ARTISTAS: ANTONIA DIAS LEITE / ANA HUPE / ALEXANDRE MAZZA / ANTHONY MARCELLINI / BRUNO VEIGA / CLAUDIA JAGUARIBE / CAMILA VALLADARES / COLETIVO ESTÚDIO M’BARAKÁ / DORA REIS / FRANK WARREN / KHALIL CHARIF / KYLE THOMPSON / MARKUS HOFKO / MICHAEL WOLF / MESTRE JÚLIO SANTOS / MARCOS FAUSTINI / STEFANIE POSAVEC / TOM LISBOA / YULI ANASTASSAKIS

DIREÇÃO DE ARTE E EXPOGRAFIA: DIOGO REZENDE / COLETIVO ESTÚDIO M’BARAKÁ

DESIGN GRÁFICO: PEDRO LEOBONS / MARIANA SOLIS (ESTÚDIO M’BARAKÁ)

DETALHAMENTO DE CENOGRAFIA: LILIAN SAMPAIO

ILUMINADOR: ALESSANDRO BOSCHINI 

PRODUTORA DE ARTE: ALEXANDRA SUPRANI 

ESTAGIÁRIO DE ARTE: ANTONIO SCHUBACK

ADEREÇOS E ESCULTURAS EM CERA: CESAR ALTAI

IMPRESSÃO DIGITAL OBRAS (BRUNO VEIGA, CAMILA VALLADARES, DORA REIS, FRANK WARREN, MICHAEL WOLF, MARKUS HOFKO, MESTRE JÚLIO SANTOS E TOM LISBOA): BARRACÃO DE IMAGENS

ASSESSORIA JURÍDICA: ERICKA GAVINHO / ANA LUZIA CAMPOS (GAVINHO & CAMPOS ADVOGADOS ASSOCIADOS)

DIRETORA ADMINISTRATIVA: LARISSA VICTORIO (ESTÚDIO M’BARAKÁ)

PRODUÇÃO ADMINISTRATIVA: BEATRIZ ARAÚJO (ESTÚDIO M’BARAKÁ)

GESTÃO FINANCEIRA: BALUARTE CULTURA

ASSESSORIA DE IMPRENSA: LUCIANA BENTO (PAUTA POSITIVA)

COMUNICAÇÃO ON-LINE: BIA SARTORIO

CENOTÉCNICA E MONTAGEM: CAMUFLAGEM

CONTRARREGRA: DINHO MOREIRA

REALIZAÇÃO: ESTÚDIO M’BARAKÁ

CORREALIZAÇÃO: BALUARTE CULTURA

CATÁLOGO

EDITORIA E COORDENAÇÃO DE CONTEÚDOS : DIOGO REZENDE / ISABEL SEIXAS / LETÍCIA STALLONE

COORDENAÇÃO EDITORIAL: SILVANA MONTEIRO DE CARVALHO / PAULA PAIXÃO / MARIA DUPRAT

EDITORA: ARTE ENSAIO

PROJETO GRÁFICO: DIOGO REZENDE / PEDRO LEOBONS (ESTÚDIO M’BARAKÁ)

FECHAMENTO DE ARQUIVO: PATO VARGAS

TRADUÇÕES: CASEY STIKKER / LUIZ FELIPE STALLONE / MARIA LUIZA REZENDE / RENATO REZENDE

REVISÃO LÍNGUA INGLESA: H+ CRIAÇÃO E PRODUÇÕES

REVISÃO PORTUGUÊS: DANIELLE FREDDO

PRODUÇÃO: ANA LUISA FONSECA

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: BEATRIZ NOVELLINO

AGRADECIMENTOS

BIANCA TALASSI / CAROENA NEVES / CHEMTECH / CONSULADO GERAL DOS EUA (RJ) / DANON LACERDA / ELIANE COSTA / FABIANA COSTA / MARCELO MENDONÇA / GABRIELA AGUSTINI / PAULA BRANDÃO / PAULA SUED / PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO | SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA 

PATROCINADORES

CHEMTECH / PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO | SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA 
 

Serviço

Informações

22 de Outubro a 22 de Dezembro de 2014

Dias e Horários: Quarta a Segunda | 9h às 21h

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro

Exposição na Sala B e no Foyer da Bilheteria

Ver no Google Maps

Entre em contato

Selfie VV

REGRAS DE PARTICIPAÇÃO ESPONTÂNEA NA INSTALAÇÃO "POLAROIDES (IN)VISÍVEIS AUTORRETRATO" DE TOM LISBOA

1. Leia atentamente o texto da Polaroide (In)visível.

2. Faça uma foto digital que traduza em imagem o texto da polaroide. As fotos devem estar em formato quadrado, 200dpi, com 10x10cm.

3. Nomeie o arquivo com seu nome e sobrenome e envie sua foto, até o dia 05 de outubro, para o email selfie@vireiviral.com.br.

4. Ao enviar as imagens para o projeto através do e-mail indicado, o participante autoriza e cede expressamente às produtoras do projeto cultural Virei Viral e ao CCBB o uso, a reprodução, a comunicação ao público, o registro e a veiculação das imagens, na exposição Virei Viral, bem como nas peças e materiais de divulgação vinculadas ao projeto, em qualquer veículo de comunicação, inclusive, a internet e redes sociais. Além disso, declara ser maior de 18 anos.

5. Visite a exposição Virei Viral 2014 no CCBB-RJ entre os dias 22 de outubro e 22 de dezembro e confira sua selfie na instalação do artista Tom Lisboa!

Compartilhe! #selfievireiviral

Nos idos de 2005, bem antes da popularização da mania de selfie na internet afora, o artista visual Tom Lisboa propôs uma ocupação do espaço urbano no premiado projeto "polaroides (in)visiveis". Agora, é a vez dessa versão moderna do autorretrato invadir o CCBB-RJ. O artista convida o público a colaborar com a obra que fará parte do Virei Viral 2014.
 

Edição 2013

Com curadores nascidos nos anos 80, Virei Viral surge de um grupo que viveu intensamente a transição cultural que se deu na transformação da comunicação analógica para a digital. Nascemos no auge da grande mídia, da informação “um pra muitos”, e transmutamos para essa realidade completamente diferente da cultura de muitos para muitos, da facilidade de geração e difusão dos mais diversos conteúdos. Talvez essa vivência de duas realidades completamente diferentes tenha influenciado nossa excitação com o tema. A ideia da exposição Virei Viral surge de uma vontade de refletir sobre essa chamada "cibercultura", que longe de ser o cenário onde predominariam robôs e viadutos intergaláticos, como se anunciava nos anos 80, nada mais é que a cultura do século XXI, marcada pela presença do digital em quase todos os nossos gestos. Nada mais é... e é isso tudo: a revolução dos modos de vida, de noções de tempo, espaço, comunicação e sociabilidade, das possibilidades de pesquisa, de trabalho e de lazer.


Realizada em 2013, a 1a. Edição do Virei Viral contou com mais de 120 mil espectadores em cerca de dois meses, num dos espaços mais tradicionais do Rio de Janeiro, o Centro Cultural Banco do Brasil. Este ano, novamente com o patrocínio da Chemtech Engenharia e cessão de espaço do CCBB-RJ, a segunda edição comprova a diversidade de abordagens possíveis quando se entende esse universo digital e hipertextual como um fenômeno cultural, muito mais do que simplesmente tecnológico.


Se na primeira versão discutimos os conceitos e origens do viral e virtual, as novas possibilidades de interação, criação de conteúdos e multiplicação da informação; na segunda optamos por focar no comportamento do individuo contemporâneo em relação às fragmentações do EU e sua postura coletiva, refletida amplamente nas redes sociais. Na relação performática, na polissemia, na fluidez, intensidade e toda contradição que surge quando o EU / SELFIE, se multiplica, fazendo com que ideias contrastantes caminhem – numa melodia desarmônica – lado a lado. Identidade e Fluidez; Coletividade e Volatilidade; Coesão e Oscilação. Conceitos que de certa forma se repelem, passam a conviver, de alguma forma, sincronicamente.


Se pensarmos que o “livro dos rostos” tem mais de 1,2 bilhões de usuários, que cada um desses “cria, recria, molda e fragmenta” seus perfis; compartilha interesses com infinitos grupos e coletivos, temos uma ideia da quantidade de simulacros possíveis, a profusão de, paradoxalmente, autênticos e forjados perfis de identidades múltiplas, fragmentadas.


Esse fascinante tema das identidades fluidas e coletividades versáteis, ainda mais sendo o Brasil um dos países com maior quantidade de usuários em redes sociais, levou a curadoria de Virei Viral para o tema “Identidades e Coletividades” nesta segunda edição. E a reverberação da cultura digital na cultura contemporânea já nos faz pensar em temas possíveis para as próximas edições: a relação espaço x tempo; a ubiquidade generalizada, a teoria do ator-rede, o avanço das relações homem-máquina, a hipertextualidade, a relação integração x dispersão – e as tantas outras temáticas impactantes na cultura contemporânea – são o objeto de interesse do coletivo curatorial do Virei Viral.


A cada edição, um desses temas – ou outros, que possam ainda emergir – estará em destaque na exposição, sempre com a preocupação de alinhar conteúdos relevantes, artistas contemporâneos e uma expografia cuidadosamente pensada para promover o dialogo ente conteúdos e obras de arte, priorizando a fruição dos sentidos pelo espectador.


Coletivo Curatorial Estúdio M’Baraká (Diogo Rezende, Isabel Seixas e Letícia Stallone).


Assistentes Curatoriais e de Arte Estúdio M’Baraká: Mariana Solis e Pedro Leobons


Agradecimentos Especiais: Paula Brandão, Fabiana Costa, Gabi Augustini e Eliane Costa (colaboradores na curadoria da 1a. Edição)
 

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